6 de fevereiro de 2008

A Confusão do Assassinato

Edgar era um guarda noturno, trabalhava noite a noite protegendo um significativo acervo de arte, bem como tesouros e outras coisas valiosas de possíveis assaltantes.

O museu em que Edgar estava a cumprir ronda era, apesar do design moderno-retrô, de um ar bem austero. As paredes eram iluminadas por lâmpadas cuja onda eletromagnética que liberavam apresentava luminescência de coloração amarela. Fazia, também, parte do museu coqueiros e baús - onde, nestes, os itens mais valiosos se encontravam guardados, à exposição de todos.

Numa noite tórrida do típico verão tropical, cumpria ronda, junto com Edgar, a moça Alana - o que era bem difícil seguindo a análise combinatória dos possíveis quadros de horários, este era feito de forma a formar pares com todos os funcionários no decorrer de um bimestre.

Nessa mesma noite, onde a calmaria banhava nosso opulento protagonista, um ruído estranho vinha da sala de tesouraria, onde ninguém cumpria ronda nesse momento. Era um ladrão, ou melhor dizendo, um pirata.

O 'pirata' estava vestido como um, bandana, camisa listrada, calças rústicas. Falava provido de um sotaque puxado - que 'puxa' as vogais 'e' e 'i' e consoantes 's' e 'r'.

- Parado!

Alana ouve o grito e corre para dar cobertura, mas quando chega, o 'pirata' nota sua presença, saca seu revólver e dá dois tiros certeiros a remover parcialmente a força vital da guarda.

Enquanto ocorria os tiros - onde as balas circulavam numa velocidade medonha - Edgar desapareceu da sala da tesouraria. O 'pirata' acabou por recolher mais alguns itens, até se direcionar à outra sala.

Ao chegar lá, em seu derradeiro momento, ouve-se um disparo.

- Morra! Filho da puta! - bradava Edgar.

Edgar havia corrido ao arsenal e pego sua calibre doze de cano serrado. Depois, fora esperar Edgar na outra sala, certeiro de que apareceria por lá.

Apareceu para morrer, por seis estrondosos disparos da calibre doze por toda sua região corporal. Enquanto Alana, reacordava de seu pequeno transe oriundo dos disparos - um tirou sua consciência, outro foi de raspão.

Passou-se algum tempo e, persuadidos pelos 'direitos humanos', a opinião pública começou a execrar Edgar pelo ocorrido no museu. Afinal, não podia tirar a vida de alguém para proteger o tesouro.

Instaurou-se um inquérito para apurar o evento ocorrido. Depois de uma nada longa deliberação - influencidada pelos formadores de opiniões - Edgar foi culpado por homicídio doloso.

Edgar foi a julgamento. O mundo não mais gostava de Edgar, o mundo o queria preso, morto, assassinado, transformado em adubo ou qualquer outra punição pior que o horário me impede de descrever.

- Edgar, você tem uma semana para arranjar um advogado e fomentar sua defesa. Passar bem. Assassino desgraçado - esta última murmurada.

Edgar foi dialogar com Alana, a única pessoa do mundo que não o condenava pela morte do 'pirata' - talvez junto com o próprio pirata, mas este não está mais vivo.

- Alana, você lembra mais ou menos do ocorrido?

- Edgar, na realidade, não, eu estava descadordada, mas o sistema de filmagem por holografira estava ativado, você pode ir lá e dar uma olhada na holografia das pessoas pelas salas em função do horário.

Edgar fora ver a holografia, onde as salas eram representadas por azul (quadriculações isométricas formavam o chão e quadriculações menores as paredes). Os seres emissores de calor e possuidores de movimento eram representados por corpos sólidos amarelos, os objetos inanimados por verde claro.

- Ué! Não consta a minha informação na sala onde possivelmente atirei no 'pirata'...

- Checarei outra vez.

Assim feito, mas nada encontrado novamente.

Passou-se alguns dias. Edgar forçava sua limitada mente tentando encontrar algum detalhe que poderia faltar ao evento de qual era julgado.

- Mas... Espera! Eu não o matei. Não estava lá no momento em que ocorreu o assassinato. Nem foi assassinato, foi legítima defesa...

- Na realidade, eu cheguei depois... Bem depois.

Sua memória estava branca - não cândida -, apenas branca. Um brancor que esgueirava sua alma para fora de seu corpo e subtraía de si a humanidade.

O tempo não passava, fluía. Sua vida rodava, descrevia um movimento circular, mas não era uniforme. Era caótico. O mundo girava sempre como se estivesse com tontura ou não pudesse acompanhar a inércia rotacional terrestre como os outros seres. Rarefazia-se o ar.

Chegou o dia do julgamento.

- Por ausência de provas, sobretudo segundo o próprio sistema de filmagem holográfica, você não poderia estar lá. Lá aonde?

- Ó Magnânimo Edgar, saberíeis dizer por que sois julgado?!

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