Garganta seca, a perseguição não cessa
A água? Onde ela se encontra?
Não há tempo para bebê-la, sinto muito.
Jovem, corra, corra somente, corra
Corra para frente, corra, não morra.
A garganta minha e o ozônio...
Eu mal consigo falar ou respirar,
Preciso parar, não posso mais!
Não aguento mais este pandemônio!
Parar é preciso, correr também!
Ah, o pânico!...
O pânico e o penico...
Peço-o, escolho-o, necessito-o.
Ele também foge, diz que eu devo correr
Correr para o longe, distante, avante!
Para Marte, quiçá, virar mártir
Do óxido de ferro, rubro, sanguinolento.
Óxido de sangue extraído, de violento
Modo; extirpado das veias e artérias...
Mas não saía mais fluído rubro pelas amarelas
Veias, vias de não mais sangue, mas sim de pus
A atmosfera obnubilada...
Não aguento mais correr, mas minha pusilanimidade...
Ela me empurra ainda para frente!
Ah não! Um buraco...
Ela ainda me empurra para frente.
O fim, se aproxima?
Meus pulmões, eles se constrigem, cada... vez...
A queda é eterna, o fim não se aproxima!
Não há fundo do poço, pois não há fim no fosso.
Não há gravidade, a situação é grave por si só.
Sinto meus membros atrofiando, sinto muito...
Sinto o fim de meu corpo ante a lepra.
O apodrecimento, a bactéria triunfando
A natureza triunfando...
Pena minha natureza humana não ser natural...
A sede? Acabou.
19 de julho de 2008
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