Busco nas linhas seguintes tentar definir o que eu sou e o que eu não sou. Caso não o interesse, o problema é seu.
Inicialmente, para descobrir o que eu sou, preciso listar algumas possibilidades do que eu possa ser.
Matemático: obviamente, essa é uma escolha errada, todo matemático gosta de Matemática. Meu caso parece diferente. Eu me interesso, mas - a cada dia que passa - ela se mostra mais distante. A culpa? Obviamente, minha. Não consigo estudar como uma pessoa deveria estudar, acabo fazendo o nada o dia todo e não me dedico ao estudo. Atualmente, sinto cada vez menos vontade de vê-la.
O que mais me entristece ante o fato de eu não ser matemático é que a cada dia que passa eu vejo uma prova cabal. Seja por ser incapaz de fazer as coisas mais simples do universo ou por olhar problemas ditos triviais e não entendê-los. Parece-me um ciclo vicioso onde cada vez mais eu me desmotivo a gostar da tão linda ciência.
Programador: acho que eu devia me bater ao falar isso. Apesar de uma suposição logicamente viável, eu detesto programar. Na realidade, eu detesto programar o que não me é conveniente. Programar seria como uma arte. Já viu algum artista pintar sem vontade? Já. Parece que fiquei sem argumentos... Assim como a anteriora, minha falta de vontade me torna um bosta em tal área.
Já gostei de programar, mas talvez fosse porque era fácil...
Músico: em algum momento de minha vida, dediquei-me à música, confesso que até senti que poderia ser algo promissor. Mas, passou o tempo, a mágica parou de existir. As pessoas tornam-se adultas, ficam sujeitas a responsabilidades artificiais e todas essas porcarias. Mais um elemento do conjunto 'sonhos'.
Falar em música é algo muito doloroso para mim. Prefiro parar por aqui.
Em algum momento, eu tive uma vontade enorme de estudar piano. Não tinha um piano para estudar - não tinha nem teclado. Não podia estudar afinal. Hoje, tenho um teclado de cinco oitavas, não estudo mais. Desespera-me o fato de sentar frente àquelas teclas todas e ser incapaz de digitar um acorde direito. Quem dirá compor uma música! Sem contar que meu repertório enorme de uma música me envergonha.
Fato similar acontece quando pego um violão, por mais que tente tocar alguma coisa tudo sai sujo. Não consigo tocar com palheta - por motivos ideológicos. Também não possuo repertório, toco sempre a mesma coisa. A princípio, até pareço um 'músico', mas depois de algum tempo, a máscara cai.
Acho que não discorrerei sobre outros instrumentos (até porque a discussão se estenderia a mais um ou outro).
Filósofo: pensei em Filosofia único e exclusivamente pelo fato de eu ter tido vontade de estudar Filosofia. Na realidade, o pensamento racional me atrai. Mas nem só de pensamentos racionais vive um Filósofo. Outra escolha errônea.
De que adianta uma pessoa incapaz de pensar querer pensar? Isso foge completamente à lógica...
Administrador de redes: precisava dessa piada... Não obstante trabalhar como um administrador de redes, situo-me deveras longe do patamar de um verdadeiro administrador de redes. Mais pareço um estagiário do que um administrador de redes. Além disso, administro porra nenhuma. Como pode alguém sem conhecimento cuidar de algo que dependa desse inexistente conhecimento? Não é cabível situar-me em tal conjunto.
Ademais, mais pareço um funcionário público... Além disso, situar-me fora do que acontece é algo que me deixa triste. Acabo ficando longe em determinados momentos, eu queria ser mais presente, mas não consigo.
Poeta: veja os textos anteriores, verá o porquê de eu não poder ser um poeta.
De alguns textos, eu gosto, não gosto do que me motivou a escrevê-los, se fosse falar sobre a motivação de cada um, demoraria muito tempo e gastaria muitas linhas por aqui. Se você quiser saber sobre algum - o que pressupõe que tenha ou gostado ou odiado - sinta-se à vontade para me perguntar, contudo, nada garante que eu lhe responda.
Gamer: em algum momento de minha vida, fui gamer. Vivia o video-game, comprava revistas, lia sobre jogos, jogava jogos, animava-me com a possibilidade de ter um jogo novo e coisas assim. Talvez seja pela abundância da internet, talvez seja por apatia, não tenho mais vontade de jogar - não como antes.
Atualmente, vejo que jogar interfere em diversas coisas em minha vida. Talvez isso seja um grande fator desmotivante.
Estudante: para ser estudante, é necessário estudar... Coisa que não consigo nem amarrado. Agora, por exemplo, eu poderia estar estudando, no entanto, estou aqui, escrevendo todas essas merdas numa tentativa desesperada de sentir-me melhor...
A cada dia que passa, sinto a graduação cada vez mais distante de mim. Talvez, já tenha até desistido dela... Se me esforço, vou mal; se não me esforço, reprovo. Parece que é um nível além da minha restrita capacidade. Apanhar todos os dias e ainda demorar quatro horas para isso é algo pior que masoquismo...
O fato de eu morar a cerca de duas horas de distância da universidade faz qualquer atraso ser vital para a possível ida à instituição. Não aguento mais esse semestre ou essa situação, a única coisa que sei é essa.
Parece-me que, dentre os estereótipos mais simples, não fui capaz de situar-me em algum. Isso nos abre dois caminhos: a complexidade ou a nulidade.
Supondo que eu fosse uma pessoa complexa e completa, não haveria motivos para eu vir aqui discutir e gastar o meu e o seu tempo, haveria?
A nulidade defende o simples fato de eu não ser ou não representar nada. Ela acarreta numa triste sina. Aliás, triste para as pessoas que não percebem o quão inúteis elas são, do ponto de vista geral, ou mesmo do particular. O pior é quando elas fazem de tudo para serem úteis e falham miseravelmente.
A defesa de tal argumentação se dá por base no grau de influência sua no meio em que vive. Não sei dizer se o pior caso é quando ela é negativa ou quando ela é nula.
Voltando ao assunto importante, a mim - sou o autor e disse desde o princípio que o propósito deste texto era tentar me encontrar, parece-me que não consigo pertencer a algum conjunto. Isso pressupõe que eu devesse parar com essa busca frenética e desesperada por um propósito. Quiçá, não exista propósito e todo esse tormento seja em vão. Será que valeria a pena continuar?
Por falar em pertencer a conjuntos, os conjuntos canônicos me decepcionam.
Pode dizer, diga que eu não me esforço o suficiente, que não corro atrás; não estará mentindo mesmo...
Resumo: eu sou um vagabundo que não quer fazer nada e, ainda sim, acha-se no direito de não ser um fracassado. Na realidade, não se acha, mas tem esperança de que se a vida existe, não deve ser algo ruim. Ah, o desespero...
13 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
É, Will, eu conheço a sensação.
Mas serei obrigada a discordar de você. Embora os padrões de conhecimento sejam relativos - e eu considere você uma pessoa bem-sucedida em ser boa parte dessas definições -, entendo que você tenha todo o direito de julgar a si próprio. Chame-se de medíocre então, como bem entenderes - e eu entenderei o que queres dizer, como pessoa-medíocre que me considero. No entanto, não me digas que não representa nada, pois nesse caso estamos falando em saldo para os outros: e aí eu tenho que dizer que você é um amigo dos bons, um professor e uma ótima pessoa para se encontrar por aí e conversar. :D
Postar um comentário