Dante, um aluno comum da universidade, cursava Letras com habilitação em húngaro e ia às aulas com uma certa frequência.
No entanto, tal frequência mudou assim que uma série de crimes abalou totalmente a universidade: um surto de assassinatos. Todos os corpos haviam sido encontrados na mesma região: a famosa praça na qual encontra-se um enorme relógio de sol. Tal praça situa-se no centro do campus principal da universidade.
Depois de uma semana sem ir às aulas, Dante foi intimado a depor sobre a morte das pessoas. Havia, entre elas, alguns companheiros de sala e um certo rival que o tirou de sua habilitação em latim. Como o sistema de câmeras não serviu, todas as pessoas ligadas às vítimas foram intimadas a depor.
"Senhor policial, meus camaradas morreram enquanto eu estudava para a prova de Literatura Húngara. Nada pude fazer por eles... Por que faz-me continuar a falar sobre mortes que não superei?"
"Ok. Pode ir. Mas verificarei sua presença nos dias."
Os dias passaram, mas o pensamento soturno não deixava a mente de Dante: o que motivava tais crimes? As pessoas têm uma certa correlação? Por que, mesmo com o policiamento, a onda de assassinatos se manteve?
Poucas pessoas se aventuravam a ir embora a pé, muitas deixaram os cursos onde estavam. O caos havia se instaurado. Cogitou-se o encerramento das atividades acadêmicas até o caso ser solucionado.
"Lucrécia, onde será que ela estaria? Poderia chamar de sorte seu acidente um tanto antes dos assassinatos? Será que ela ainda lembra de mim?"
Ambos eram amigos desde o ensino infantil.
Pouco tempo depois, na casa de Lucrécia: "Por favor, a Lucrécia se encontra?"
"Entre, Dante, entre. Mas cuidado! Ela ainda não se recuperou adequadamente..."
"Lucrécia? LUCRÉCIA?"
A mocinha que outrora vivia a primavera, agora parecia congelada pelo inverno cadavérico de sua coloração alva e de seu estado quase putrefato. Dante a abraçou, olhou em seus olhos apagados, beijou-lhe as mãos e saiu cabisbaixo. Ouviu-se um murmúrio.
"Huh? ... Não, não foi nada..."
Dante precisava passar pela universidade para ir para sua casa. Lucrécia morava de um lado e Dante doutro. No meio do caminho, uma voz gutural, mas familiar, diz-lhe: quieto! O transeunte que acabara de visitar sua enferma amiga sente o sangue correr por suas veias e seus trejeitos começam a parecer aqueles de um desesperado pela vida.
A voz diz que precisa mostrá-lo uma coisa. Ambos se dirigem à praça onde todos os corpos. Ouve-se o estalo do tiro: o cadeado foi quebrado. Ambos sobem até o último nível do relógio, o topo descoberto.
"Está vendo?" - A voz apontara todos os lugares onde os corpos foram jogados. "Olhe seu relógio."
Dante viu a hora: 10h32. A mesma disposição dos corpos!
Ouve-se um tiro: "Amo-te, Dante!". A voz tira o véu que cobrira a face. Lucrécia! Ela o abraça; ambos caem de uma altura de 25m.
Finalmente havia sido consagrado o casamento entre ambos, abraçados, de véu e grinalda, feita com o sangue que espirrou do casal - agora unido para sempre.
28 de abril de 2010
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3 comentários:
Muito bom! adorei!
Praticamente um Edgar Allan Poe na USP
Fazia tempo que não lia algo seu... =p
Não faço idéia do porque do mercúrio. hahaha
(Li o texto e tal. Mas achei meia-boca para você.Se bem que levando em consideração a meia-hora, está bom. :D)
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