"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo." - inscrição no oráculo de Delfos.
Após uma torrente de pesadelos, acordou. Desmaiou novamente e, mais tarde, acordou novamente. Levantou-se, encontrou num espelho sua transfigurada imagem. Não se sabia onde e porquê houvera tamanha mudança.
Não sabia que dia era tampouco de onde veio. Sabia apenas que estavam lá ele, o espelho com sua aparência transfigurada e o chão no qual dormira. Olhou para os lados, percebeu uma cômoda de madeira maçica.
Abriu a primeira gaveta, apenas cinzas. O mesmo se sucedeu com outras quatro. Abriu a última delas, havia um livro cheio de mofo. Abriu-o, era todo manuscrito.
O livro trazia consigo a história de uma pessoa que lhe era bastante familiar, no entanto, não conseguia lembrar de quem era. Havia algumas fotos - também familiares - isso o instigou à leitura.
O primeiro capítulo trazia consigo a história de uma criança. Nada muito interessante exceto pelo fato de ela ser órfã.
Já o segundo falava de um garoto um pouco mais velho, mas este não era tão órfão assim. Não gostava da trupe do bairro.
O terceiro capítulo trazia uma imagem bastante cativante. O protagonista não sabia dizer o porquê de ela ser cativante, mas era. Ele tratava de ficar mais atento ainda em vista da foto, era a foto de uma mulher. Já o capítulo tratava da vida de um jovem, mas nada lá era interessante.
O quarto capítulo contava como um homem poderia perder muita coisa que lhe era importante. Foi escrito num tom bastante amargurado, aparentemente o outro protagonista havia fracassado totalmente. Já o nosso começou a expelir lágrimas pelos olhos sem entender o que acontecia.
O quinto capítulo estava em branco. Havia trinta e uma páginas em branco. A última tinha um risco que a julgar pela descrição do autor, deveria ser vertical, mas não era. A tinta era vermelha e não preta como as outras páginas. Havia algumas gotas de tinta em volta de tal risco.
O sexto capítulo tratava de um resto de ser humano que estava, agora, na UTI de um hospital. Ele, aparentemente, caiu de uma ponte e milagrosamente não morreu de hemorragia.
Um relampejo! Nenhuma das pessoas era a mesma! Todas aquelas páginas se misturaram com o protagonista, agora havia uma abominação de papel enquanto o quarto de paredes negras girava. O espelho agora trazia uma imagem pior que a face outrora transfigurada: era sua verdadeira face.
Um épsilon e nosso protagonista não estava mais naquela sala. Também não estava na UTI. Ele estava finalmente morto. Morreu sem jamais tê-lo conhecido, como um indigente para si mesmo.
11 de setembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário