1 de dezembro de 2010

A construção do adulto

Começa vindo direto da mamãe,
Acabou de sair, toma a primeira pancada.
Chora, é abraçado, é observado
Às vezes ganha carinho, às vezes não.
Cresce um pouco, começa a andar, falar...
Faz a primeira 'arte', toma outra pancada.
Cresce mais um pouco, hora de escola.
Não vai muito bem, o ensino é ruim....
É nada! Toma mais uma pancada.
Brincar não é permitido não!
Vai ser alguém na vida brincando?!
Cresce de novo; "que menina bonita!"
Não vai namorar ninguém aqui!
Duas semanas de suspensão.
A menina mudou de escola.
Toma mais pancada, mantenha o ritmo!
Vá trabalhar, filho meu vagabundo?
Aqui não! Ou trabalha ou é rua!
Poxa! Mas eu queria achar algo legal.
Não existe algo legal, você tem, tem e ponto.
Onde já se viu querer procurar algo legal?
E vai fazer faculdade, ser médico, advogado...
Engenheiro, vai ser é alguém na vida!
Professor? Nunca! Não dá dinheiro!
Toma mais uma pancada para desistir disso.
Quero voltar para mamãe! Preciso dela.
O mundo é triste, não quero o mundo!
Corre, dirige-se à sua progenitora
Rápido como um raio, mas a chuva é de lágrimas.
Toma mais uma pancada, ninguém te quer aqui
Filho vagabundo! Desapareça.
Molda-se um novo ser, desfigurado.
Depois de tanta pancada, surge o adulto.

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