19 de dezembro de 2006

Bestibular: A Domesticação Humana




Fragmentos de memória parte I.

Bestibular: a domesticação humana

É sabido que na mente de todo estudante a palavra vestibular passou ao menos uma vez, seja para afrontar e dizer que não vai prestá-lo ou para mostrar seu estado de pressão interna causado por essa falácia avaliativa.

O vestibular torna-se uma falácia avaliativa a partir do princípio que obriga o aluno a saber mais do que ele aprende na escola, como provam os resultados – já que se os alunos tivessem conhecimento total de conteúdo, suas médias seriam bem superiores aos quarenta por cento quase atingidos em geral.

O vestibular torna-se uma falácia avaliativa, também, pelo fato de acabar com qualquer tentativa real de um docente ensinar coisas realmente úteis relacionadas à área. O docente acaba sendo pressionado a ensinar o que o vestibular pede e não um conteúdo que seja realmente proveitoso para a vida.

O vestibular exclui as pessoas menos favorecidas tirando mais uma porta de oportunidade, pois as escolas de hoje estão precárias e não podem abastecer o aluno – sem recursos para aprender por fora – com toda essa poluição disciplinar a que o vestibular exige.

Além disso, o vestibular não avalia corretamente, pois é feito num dia por pessoas sob pressão, muitas vezes, pessoas com um potencial fantástico que são impedidas pelo seu quociente de emoção (vulgo Q.E.).

O potencial avaliativo do vestibular é tão bom que o cronista Mário Prata conseguiu errar todas as questões acerca de seu próprio texto!

Afinal, o que querem com vestibular? Como todos insistem nesse falho sistema? Pessoas tão cultas e criativas que facilmente criariam outros métodos para resolução. Um exemplo seria o método sugerido por Rubem Alves, que consiste, basicamente, em sorteio.

É algo dubitável, pois dá a um aluno indolente a mesma chance de passar que um que fora mais aplicado. Talvez, como solução, poderia sim ser adotado o sistema de sorteio, mas amparado por um diferencial, seria a probabilidade ponderada. Essa probabilidade ponderada teria relação única e exclusiva com o histórico do aluno, ou seja, caso ele seja aplicado, terá mais chances que um que não quer nem ir para a escola. Essa solução, na pior das hipóteses, livraria o estudante dessa pressão que a sociedade põe sobre seus ombros. E tornaria a escola mais dinâmica, pois ela seria menos presa a programas e planos de ensino – afinal o conhecimento não é fragmentado.

Texto escrito por mim numa redação para escola...
(O que a falta de criatividade não faz...)

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