6 de fevereiro de 2007

Cercados pelo Vácuo?




Surdos ou cercados pelo vácuo?

Provavelmente, quando olhamos essa palavra vem a nossa mente a imagem de um velhinho surdo com uma espécie de concha no ouvido gritando: "o quê?". Os músicos podem já pensar em Beethoven, aquele que tinha que encostar o ouvido nas coisas para sentir a vibração. Ou mesmo na célebre frase: "Todo viado é surdo...".

Mas nem só isso é, de fato, o surdo (creio eu que nem todos sejam realmente 'viados', mas não vem ao caso). Segundo o pai dos burros, surdo pode ser: deficiente auditivo, instrumento musical, oculto, indiferente; como toda boa palavra, cercada de significados.

Não vim aqui DISCORRER sobre os deficientes auditivos, pois nada tenho a falar sobre eles. Tampouco vim aqui relatar sobre ondas mecânicas que se propagam pelo ar em baixa amplitude. Também não vim aqui descrever o instrumento musical de percussão em geral utilizado em fanfarras. Por fim, não vim redigir sobre o oculto, pois é oculto e nada posso falar (ou quase nada) sobre o que não conheço.

Vim, pois sim, escrever sobre aqueles que possuem superpoderes!

Afinal se podem eles criar uma parede de vácuo para o som não se propagar até sua direção, são, de fato, dotados de estranha capacidade.

Deveriam sê-lo, mas infelizmente, são seres deveras comuns no nosso dia-a-dia, talvez, nós mesmos possuamos essa dádiva, ou seria maldição?

Seres estes que conseguem ignorar as mais amplas ondas mecânicas que consigamos proferir. Por que fazem isto esses seres?

Provavelmente dir-se-ia que é porque eles somente não ouviram direito ou não prestaram a atenção.

Digo eu que eles são cegos.

Cegos porque não vêem nada. Têm seus olhos voltados para si mesmos. Acabam por se sobrepor aos outros seres como se nem existissem.

Simplesmente pisam neles como se fossem baratas ao anoitecer que perambulam pelas calçadas sujas das metrópoles: "Crack!". De fato não ouviram pois são surdos...

Não possuem tato, pois não percebem que existe seres abaixo da sola de seus imundos sapatos, imundos pois misturam lama, sangue, concreto... Às vezes, graxa também.

Sobre o olfato e o paladar nada tenho a dizer.

Em relação à parte contrária da surdez, parece que eles possuem um exímio domínio. Falam, falam, falam! Se sobrepõem aos outros como os compressores fazem com o lixo. Simplesmente zipam e deletam qualquer coisa que os outros poderiam ter a dizer, afinal são surdos e isso não lhes é interessante.

Andam como trens num trilho, mas com uma potência infinita; varrem tudo que vem pela frente, como os caminhões que abrem caminho na neve.

Todos somos assim, a grã questão é a freqüência. Não esta sendo de uma onda mecânica, mas esta sendo a da estatística. A cada dia que se passa a freqüência desse tipo de fenômeno apagador de sentidos, desse isolamento material, vem aumentando. O que tornou-se um módulo, tornar-se-á, brevemente, uma constante.

Espero eu que não seja a constante da autodestruição humana. Quer saber, espero sim e em pé, pois não tarda a chegar!



PS:
A imagem da Enterprise foi só para ilustrar que o som, apesar do filme dizer que sim, não se propaga pelo vácuo! Bem como nossas palavras, quando as pessoas nos ignoram.

Enfim, mais um texto sem apresentação, mais um texto sem nexo, em meu flog anexo.

Boa noite leitor...

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