
Black Label Pt. 1 - À espreita.
Dalton estava sentado num bar. Numa noite quente. Num dia onde nada era aparente. Visualizando apenas o copo de whiskey doze anos que encontrava-se à sua frente.
- Garçom! Me ve um maço de cigarro... Er... E me traz, também, o resto da garrafa de whiskey. Ele tem um sabor especial nessa noite.
Dalton fitava tudo a sua volta além do seu já vazio copo de whiskey enquanto o garçom providenciava o que ele havia pedido.
Sentado a 3 mesas atrás dele, um casal, na flor da idade. Joviais, vívidos... Exaltados... Deveras exaltados. Pareciam carecer de honestidade em seu relacionamento. Algo que tornara-se comum nos dias de hoje - onde as pessoas vivem cada momento como acéfalos.
Duas mesas à direita, um bêbado. Já devia ser sua segunda garrafa de cachaça - mal sabia ele que poderia ter comprado as mesmas duas garrafas de cachaça no mercado por um quarto do preço, mas esse é o preço de sentar-se no bar, é claro! -. Parecia ter perdido algo importante. Afogava, de fato, suas mágoas no etanol - talvez o que quisesse mesmo era uma enorme garrafa de metanol para afogar suas mágoas e o resto de seu organismo.
As luzes do bar eram todas amarelas, mas não como as incandescentes comuns. Eram amarelas vibrantes, causavam uma certa sensação ruim. De fato apagada quando o nível de etanol excedia os 75g.
A duas cadeiras, no balcão onde Dalton se situava, sentava-se uma mulher. Quarenta anos, fumante, acabada. Parecia ser daquelas que trabalharam, deram duro na vida, por nada. Maquiagem pesada, vestido artesanal... Vermelho meio escuro, de veludo. Fumava seu cigarro como quem encontrasse uma fuga à realidade.
Ao fundo, mesas de jogos. Uma roda de pôquer. Muitas apostas, muitas mentiras. Uma mesa onde o blefe era o principal. Talvez fosse fruto da ebriedade dos jogadores. Não se deve beber demais no pôquer, requer uma certa concentração e prudência que são exauridas pelo consumo do álcool etílico.
Chegou o garçom com seu tarja preta. Coloração marrom amarelada. Típica dum doze anos. Sabor sublime. Se serviu à cowboy. Acendeu seu cigarro. Tragou uma, duas, três vezes. Expirou a fumaça lentamente saboreando o alcatrão e a nicotina que encontrava-se lá. Sentia uma sensação estranha.
- Deve ser o whiskey. Espero que não esteja batizado!
Pensou em tudo que tinha acontecido durante aquele dia. Desde sua chegada ao seu mausoléu - nome carinhoso que dera ao taciturno escritório onde trabalhava - até aquele momento no bar, no whiskey, nos pensamentos. Uma metalinguagem de fato.
Pensou que a vida não andava boa. Que tudo ruía no mundo que se encontrava. Que pagar as contas não mais vencia. O pouco relacionamento que tinha com sua família se dissipou com a falta de comunicação. Uma vez ou outra (diga-se Natal ou Aniversário) conversava com ela. Pensou finalmente que não estava feliz. Em suma, estava puto.
Bebeu outro copo de whiskey. Olhou para cima. Olhou para a rua.
- Pessoas pisam em pessoas. A vida humana não vale-me de nada. São todas como Brutus que golperara aquele que o amava. No primeiro sinal, eles te predam. É assim, a lei da selva.
Silêncio. Algum tempo passou.
- Garçom! A conta!
Pagou a conta. Ajeitou as roupas. Saiu.
- Selva...
- Como seria melhor se houvesse menos pessoas nessa merda.
Cuspiu no chão e continuou a andar. Chegou a uma praça. Sentou no sujo banco com seu terno italiano.
- Vamos ver o que se sucede por aí...
Passou algum tempo...
- Injustos! Injustos! Injustos! A justiça de hoje é a burocracia de ontem... Milhares de pessoas saem impunes e cometem coisas absurdas quando outras são culpadas por coisas que jamais cometeram. É isso correto?... Incompetentes. Isso é o que todos os humanos são... Desde aquela merda de office-boy que é incapaz de tirar uma fotocópia até o 'mais poderoso' dos homens desse mundo...
Dalton sente um esbarrão. Uma pessoa sai correndo depois disso.
- Filho da puta! Você roubou a minha carteira.
Dalton dispara, como um cão raivoso atrás do que lhe pertencia. O ladrão do dia não se deu muito bem, acabara, na fuga, escolhendo um caminho que o deixara encurralado.
- Seu merda do caralho! Agora você devolve a minha carteira.
O ladrãozinho - totalmente drogado - sacou uma faca, meio cega, mas ainda sim pontuda e capaz de ferir gravemente uma pessoa.
- Ô tio. É o seguinte, você sai daqui e tudo acaba bem.
Dalton foi se aproximando para pegar o que lhe era de direito. Fora atingido pela primeira facada que perfuraria - não fosse pelos reflexos - a região abdominal.
- Miserável!
Dalton estava fora de si. Perdera totalmente o controle. Bloqueara com sua mão esquerda cada golpe que era desferido pelo ladrão. Seu braço cada vez mais lacerado. A cada corte, mais endorfina, mais reações psicológicas estranhas causadas pela liberação de endorfina.
A dor havia abandonado Dalton completamente. Estava ele apenas cego pelo ódio, com o desejo de descontar cada golpe...
CONTINUA...
(Será que alguém entenderá a imagem?)
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