Encontrava-se atônito, sem coisas a fazer. Lia, por alto, a história de Gilgamesh, o semideus sumério.
Ficou assim por longo tempo até que encerrou a história que fora dividida em doze tabuletas.
"É, o lírico não é mais nada além de nada. Me abandonou e eu também o abandonei. Nos deixamos mutuamente. Passe bem."
Levantou subitamente, olhou para fora. Viu um céu negro, uma treva total. Quase total, diria, pois possuia uma incandescente Lua que insistia a brilhar.
O céu estava negro por causa da espessa neblina que encontrava-se nos domínios da natureza. Todavia, o domínio da natureza possuía um índice de umidade inferior a trinta porcento... Como raios poderia haver tal neblina? Poluição! É claro, no caso, claro é o que não é, pois ela interrompeu a visão do brilho das estrelas.
Fitou novamente aquela imagem de Lua que outrora fora cheia - agora estava às mínguas. Sentiu-se turvar pela imagem, perdera o equilíbrio. Não fosse o apoio, teria colidido com o chão - graças à acolhedora gravidade.
Sentiu algo estranho, um sentimento indescritível, um pavor, um tormento. Aquela imagem ficara em sua cabeça... Uma Lua cujo brilho refratava nas densas névoas, mas nenhuma outra onda eletromagnética de espectro luminoso oriunda de estrelas conseguia o fazer também. Uma sensação de total vazio.
Se uma imagem poderia ressaltar o quase vazio, seria essa. O negrume total! Atormentador...
Essa imagem ficou em sua cabeça. A sensação também... Não era mais o mesmo. Estava impedido de pensar, apenas conseguia descrever o que viu; mas a angústia de tê-lo visto era indescritível...
Vazio, vazio, vazio, vazio doentio de se existir... O limbo?
5 de agosto de 2007
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