Boa tarde, caro leitor, venho eu, nesse dia comum, divagar sobre o próprio idioma.
Como sabemos, é fato que eu não sei escrever. Mas... Como poderia redigir uma divagação acerca do idioma se não sei escrever?
Esse é o problema. O idioma em questão, a Língua Portuguesa (que de Portugal herda cada vez menos coisas - e que seria deveras diferente aqui não fosse pelo 'déspota esclarecido' intitulado Marquês de Pombal), tem se mostrado cada vez mais contumaz quanto a se deixar ser dominada.
É como uma besta feroz que não aceita ser dominada por qualquer um. Diria, talvez, que trata-se de uma conspiração de literatos para impedir que um 'Zé-Ruela-Qualquer' possa escrever com perfeição. Ou, simplesmente, trata-se de um parnasianismo esnobe que cria um idioma para poucos.
Nosso idioma é tão mesquinho que a maioria das pessoas é incapaz de entender perfeitamente o próprio hino do país. Agora... Cá entre nós, de que vale cantar uma música que sequer sabemos seu significado? Tornar-se-ia fútil o significado sem os floreios parnasianos? Ops! Mas o próprio parnasianismo é fútil em sua essência...
Só serviria para escrever 'exercícios lúdicos' como Drummond intitula seus poemas com brincadeiras de palavras. Mas um hino não é um exercício lúdico; teoricamente, o hino é uma síntese do que é o país... (Ou deveria sê-lo).
Mas o que quero abordar não é esse lado da língua e sim o que ele implica. Desde os primórdios do Brasil como uma nação descendente de Portugal, o idioma que usamos não é o idioma padrão. Ao invés de simplificarmos o padrão de forma a deixá-lo mais acessível a todas as camadas (diga-se os não letrados), acabamos por criar regras infinitas acerca da escrita.
Como um exemplo poderia dizer que temos mais de cinco regras de acentuação! Sim, só para acentuação temos mais de cinco regras... Enquanto no Esperanto ou no Inglês nem acentuação existe.
Torna a comunicação eficiente usarmos mais de 5 regras somente para acentuar? - além de muitas outras como colocação pronominal, estrutura paralela, infinitas conjugações verbais com suas infinitas desinências desprovidas de qualquer sentido histórico...
Será que não é necessário um melhor controle acerca do idioma? Nosso país, quanto a isso, é uma casa de mãe joana... Qualquer um escreve como quiser do jeito que acha e está bom... E isso se deve ao fato do idioma ser tão complexo ao ponto das pessoas não saberem como se escreve diversas palavras.
Um erro diria grotesco e deveras corriqueiro é escrever muçarela com 'ss'. Quiçá os barões das letras não tenham pensado que pizza mantém-se com 'zz' e que muçarela deveria fazê-lo como padrão. Mas... Por negligência dos barões, presenciamos erros a cada passo que damos na rua.
Uma nova estrutura de idioma precisa ser criada de forma a toda população poder dominá-la com facilidade. O idioma não deve ser restrito apenas a doutores em letras ou jornalistas (apesar de cada vez mais discordar disso...) ou advogados et cetera...
Bem, caso não haja uma real reforma ortográfica, o que acontecerá com o idioma é cada vez mais se tornar restrito a poucos como a informação, na Idade Média...
24 de dezembro de 2007
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