5 de janeiro de 2009

Saudades

Tenho sim saudades, não sei do que exatamente. Quiçá não exista algo exato do qual eu sinta saudades.

É estranho pensar que este sentimento que se fez tão obscuro durante toda a minha existência se manifeste tão fortemente nesse verão de dois mil e nove. De fato seria a primeira vez onde eu tenho certeza de que o que sinto é saudade.

Não é um saudosismo doentio o que me faz pensar nisso, tampouco a nostalgia - visto que apenas tento definir qual o objeto de minha saudade.

Tenho saudades de muitas pessoas sobretudo aquelas que em seu tempo me foram tão importantes, mas as areias do tempo enterraram sua presença em minha atualidade. Cada uma delas me é importante e eu carrego comigo uma pequena parte de cada uma em forma de algum composto estranho que intitulam 'memória'. Provavelmente, não conseguiria me lembrar de todas de uma vez, a bioquímica do cérebro é complicada o suficiente para não conseguirmos desencadear tantas coisas de uma vez.

É curioso o fato dessa saudade se manifestar tão tardiamente em minha vida. Antes de morrer eu gostaria de ver estas pessoas ao menos uma vez mais, queria ter a oportunidade de dizer que a existência delas teve influência direta ou indiretamente no que sou. De fato não é um elogio, visto que sou a essência do vazio... Mas talvez essas palavras fizessem as pessoas terem uma idéia do que representam no grande grafo chamado existência.

Não sinto saudades só de pessoas, paradoxalmente, também há uma certa nostalgia. Sinto saudades dos tempos onde eu não entendia as coisas e tudo parecia bem mesmo que não estivesse. Hoje o pensar só me amargura, a idade só me fere e a existência só me entristece.

Estava a observar nesta madrugada de segunda-feira que não tenho tido o contato que gostaria com as pessoas das quais sinto saudades. O mais irônico é o fato de a culpa ser minha. Confesso que não movi montanhas para não perder o contato, nem sequer movi gravetos. Não movi o dedo diante de uma tecla ou a caneta por cima de um papel.

Por outro lado é justo o que acontece, pois diferentemente do resto do mundo, a minha existência possui uma influência infinitesimalmente pequena em relação às pessoas. Isso também deve ter trazido o fim de diverços laços ou, eufemicamente, o adormecimento de contatos.

Enfim, não consegui encontrar algo que satisfizesse toda a minha saudade; provavelmente por ser demasiadamente complexo como tudo citado acima.

Soturno destino aguarda esta apática alma...

3 comentários:

Solfer disse...

Tambem te amo gatinho ^^

Camila da Mata disse...

Eu nunca disse nada, mas eu sinto saudades de você e tal.

E você é uma das pessoas que de um jeito ou d'outro influenciou mesmo, sabe?
Beijo!

(Aliás, lhe dei "tuberculose" porque me lembra muito os Românticos, e eles me lembram você. (Se não entender, dá uma olhada no blog lá depois. ;D)

Solfer disse...

Tenhu uma poesia pra vc:

"O Sapo que mora na lagoa

O Sapo não lava o pé.
Não lava por que não quer.
Ele mora lá na lagoa,
Não lava o pé porque não quer.
Mas que chulé!"