10 de outubro de 2007

O Paradoxo da Vida

Notório é o fato da vida dos humanos ser cada vez mais desprovida de um real significado.

Nas sociedades antigas, as pessoas nasciam com uma missão ou um objetivo atribuído a eles desde antes de nascerem. É, por exemplo, a distribuição do trabalho numa aldeia indígena: "Homens caçam e pescam; mulheres cuidam das crianças e trabalham na agricultura...". Mas, atualmente, com toda a liberdade que o sistema liberal-capitalista nos trouxe, a vida perdeu o sentido.

Viemos ao mundo sem objetivo que não seja ganhar dinheiro - afinal o sistema é capitalista. Mas esse ganhar dinheiro não é natural como a divisão do trabalho de algumas civilizações antigas, na realidade, não é nem um pouco natural. As pessoas não são felizes em ganhar dinheiro como os indígenas - voltando ao exemplo - que o eram enquanto caçavam, pescavam, cultuavam seus deuses...

É patético, mas nem deuses temos na atualidade. Algo que existiu desde a concepção da civilização. Hoje são tantas religiões que uma anula a outra a ponto de racionalmente não haver nenhuma passível de credo.

O ser humano atual se julga mais civilizado que os primitivos antigos, mas na essência ainda não evoluiu em nada. Quer firmar sua supremacia sobre seus semelhantes como os antigos o faziam. É, nem a sociedade quase em 'CNTP' dos indígenas escapa a isso - afinal havia guerras entre tribos e o conseqüente domínio da vencedora sobre a perdedora.

Temos tecnologia, mas somos tão boçais a ponto de investir em tecnologia que esquecemos que o planeta que habitamos é habitado por nós mesmos! O lixo tecnológico não deveria existir para que nosso planeta permanecesse num estado de não putrefação de seus recursos naturais. As máquinas, a energia nuclear, diversas coisas que a Ciência e a Tecnologia nos trouxeram são lindas. Mas foram inconseqüentes e mostram somente a imprudência do ser humano.

Condenam Maquiavel por sua política de resultados, mas o que se vê no mundo é algo bem pior. São resultados que favorecem a poucos e deixam o resto na miséria. E uma proporção homérica de pessoas na linha abaixo da pobreza - provavelmente mais de 20% da população mundial.

Toda essa suposta evolução do homem trouxe algo que era inédito em sociedades antigas, até mesmo no ócio grego, o tédio.

O tédio é uma sensação que denota desgosto pelo estado em que o ser se encontra. Ele olha ao mundo e nada vê que valha a pena. Não sente vontade de particar ação alguma, julga tudo ou difícil ou inútil. É a vida sem felicidade: as noites brancas, sem mulheres, sem horizontes...

O estágio de desumanização do ser humano atual chegou num patamar onde as escolas, que eram instituições que tinham como princípio básico a produção e a difusão de conhecimento, passaram apenas a produzir pessoas que deveriam ser preparadas para o mercado de trabalho (mas falha miseravelmente até nesse absurdo). Sim, conhecimento zero, mas a produção, que deveria ser cem, não o é, na realidade é tão baixa quanto o conhecimento útil e efetivo que os alunos aplicam às suas vidas quando deixam a escola.

Pode-se dizer que atualmente as escolas não passam de uma fase de inclusão social baseada no modelo de chão de fábrica. Não é a mente humana que regula o que aprender ou não, mas sim o relógio. Tudo baseado num método científico chamado pedagogia. Acham que simplesmente podem estereotipar o ser humano como erroneamente o fazem, também, com quaisquer outros espécimes de ser vivo. Não pode, cada um tem um ritmo que é desrespeitado por esse massacrante sistema.

O ser humano, hoje, o que ele é? Afinal tratado como humano que não é. Alguns são tratados como deuses, outros como animais, mas humanos, o meio termo, aurea mediocritas, estes não existem desde a concepção, por provável mutação, do Homo sapiens sapiens...

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