12 de novembro de 2007

Regras Prolixas de Jogos Pró-lixo.

Depois de diversos dias e noites de um mês macabro, onde a inspiração falta, dando margem somente à piração, venho tentar produzir algum texto que não seja uma poesia boba.

Será algo mais bobo ainda, presumo.

O motivo desta não sonata composta por letras é discutir acerca da má, diga-se de passagem, influência de certas coisas sobre as pessoas - no geral.

Por mais que a História nos entregue a lama que compõe a fundação da estrutura de nossa sociedade, tergiversamos-a, sem qualquer sentimento de culpa...

Temos registros, desde remotos tempos, da capacidade diruptiva do ser humano, que não só consegue acabar com os mais perfeitos e harmônicos objetos, como consegue arruinar sua própria estrutura.

Hoje, estamos face a uma estrutura geopolítica onde o dinheiro é a chave de todas as portas. Onde o social não é mais social, mas sim 'sócioeconômico'.

Olhamos para a China, para a Índia ou mesmo para os EUA como potências econômicas atuais. De fato o são, todavia esses países são compostos por, além de meios de capitalização, pessoas...

Fato é que o Neoliberalismo faz um bem absurdo à economia, mas papel não enche barrigas - já que deixamos nosso apêndice em desuso há muito tempo. Os neoliberais argúem que as pessoas devam conseguir todas as coisas por si próprias, o que é um princípio republicano e corretíssimo - do ponto de vista ético. Todavia, não entendem o fato dessa concorrência sempre tender para os lados já favorecidos.

É simples explicar isso: se a economia é o que rege a sociedade, dar-se-ão bem aqueles que têm acesso ao capital.

Mas e quanto aos quase naturalmente desprovidos? Segundo os neoliberais, deverão se virar. Mas... Como?!

O fato de nos entitularmos civilizados deveria, por antemão, nos trazer a obrigação de abominar coisas como 'Seleção Natural' dentro do meio civil.

Mas o problema é mais para baixo, em nossa civilização tão moral e ética, possuímos beneficiatários de programas que se dão ao luxo de pararem com tudo que fazem para usufruírem somente do benefício.

Este país chegou a um patamar onde ser funcionário público é sinônimo de vadiagem. Bem, com nossos representantes mores 'cabulando' seu compromisso com aqueles que os elegeram; mais que um delinqüente juvenil faz com a escola...

Temos pessoas que enfrentam uma seca que as assola por gerações e ninguém nada faz por isso, ficamos na barreira do eleitorismo e da bureaucracia. E, com tudo isso, somos uma das potências agrícolas do mundo! (Detalhe: Na Flórida, um clima tão ruim ou pior que o do sertão, há plantações enormes de diversos gêneros agrícolas)

Não bastava isso, pagamos por volta de 50% de imposto na maioria dos produtos que consumimos (e nem são, necessariamente, frutos do consumismo). Há mais imposto proporcionalmente cobrado sobre as cestas básicas do que sobre a cerveja. Será que essa política de impostos não está errada?

Criou-se a CPMF há algum tempo com o intuito de restaurar, ou - ao menos - melhorar, o sistema de saúde. Vemos, depois de todo esse tempo, o melhor patamar de saúde pública de toda a história do Brasil, é claro! Hospital virou sinônimo de desespero, com filas e espera de horas - que chegam a comprometer o dia inteiro de uma pessoa.

Sem contar o estado lastimável da educação pública, que deveria ser de qualidade. O que temos é um salário irrisório que, direta ou indiretamente, desmotiva os docentes. Temos, também escolas sucateadas sem quaisquer recursos - algumas chegam ao absurdo de faltar giz! Pior que isso, há alunos sem perspectiva de vida que nada fazem na escola senão cumprir uma obrigação. Tão ruim quanto é a mentalidade da nota que acabou por sobrepujar o real preceito da escola: o conhecimento para tornar-se um cidadão decente. As pessoas chegam ao cúmulo de fraudar (vulgo colar) em provas, já que o importante para a instituição não é o conhecimento, mas sim a imagem.

Sem dúvidas, acho que esse mundo de imagens é o qual Platão criticaria muito mais que o das incertezas.

O problema está muito mais embaixo, devíamos criar o mínimo de vergonha na cara e aceitar a nossa medíocre situação - de modo que possamos combatê-la. E não nos iludirmos com uma política que nada mais faz do que a manutenção do poder nas mãos de pessoas despreparadas e egoístas.

Na realidade, o poder nem deveria existir, mas o Homo sapiens sapiens é, antes de tudo, um animal; e jamais deixará de sê-lo...

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