
Noite na taverna (tributo a Álvares Azevedo)
Uma noite na taverna
Alienada, subalterna
Uma noite a se passar
A ebriedade a cultuar
Uma noite pavorosa
Num ambiente até honesto
De histórias escabrosas
De desfechos funestos
Pessoas numa roda
Pessoas, uma horda
Sentadas, com histórias
Estas a contar
Lembranças, memórias,
Elas a recobrar
Histórias contando
Escuras, sombrias
De cabeças rolando
Às almas vazias
Pessoas se matando
Pessoas bem frias
Rindo, rodopiando
Das desgraças desses dias
Esta é a taverna
Que fui eu visitar
Abri a porta, a baderna
O lúrido a me enlear
Soturnez a qual
Ninguém jamais viu
É este afinal,
O triste, condenado covil.
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Angústia
Por que o marasmo meu?
Por que o sentimento de que tudo se perdeu?
Por que esse sofrimento que parece não passar?
Por que o marasmo meu?
Por que esse pensamento de que tudo se perdeu?
Por que esse desânimo que está a me matar?
Por que essa sensação de estar perdido?
Por que esse receio de não ser compreendido?
Por que essa vontade de tudo cessar?
Por que essa impressão de estar comprimido?
Por que esse aflição de estar arrependido?
Ah céus! Isso tem que acabar! Tudo tem que acabar!
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Bem, lirismo à parte, Álvares Azevedo foi um magnífico poeta do século XIX, mais precisamente do período romântico, mais precisamente ainda da segunda geração.
Sim! Aquela do 'mal do século'.
Mas mesmo sendo um magnífico poeta, tem ele também alguns trabalhos em prosa. O mais conhecido, para mim, é o 'Noite na Taverna' - que nos traz, justamente, a história de uma taverna onde seus fregueses contam desventuras macabras de suas vidas.
Muito obrigado pela presença caro leitor. Assim despeço-me de ti com assaz valor.
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