A prece que precede a pressa
Apresse que procede depressa
Aporta que a porta comporta
O que porta o que importa 'tá perto
Não deixe o basculante aberto!
Deixe o caminho estancado!...
Afasta-te desgraçado!
Não quero-te aqui por perto!
Ah! Que vou aí entrar...
Tenho uma alma a levar!
Não vai ser essa reles parede
Que impedirá de sangue a minha sede.
Fuja! Fuja daqui menino!
Não será esta vil criatura
Que tirará de ti o destino
Que encurtará assim sua natura
Arrombou com usa força a porta
Deixou sobre o chão frio
Apenas os corpos, expressões tortas
Que viram o mal, o sombrio
Tirou delas a essência
Numa doença sem convalescência
Chamada, como a criatura, a Morte
Levou-as à mais alta corte
Com apenas uma laceração,
Foice não foi-se à cabeça
Foice foi-se ao coração
Perderam logo a coração
Caídos no gélido solo
Corpos frios caídos no colo
Mais frio, da mãe Terra
Assim a vida deles encerra
Nas horas do dia tardias
A casa fez-se vazia
Na estranha vereda da Morte
Aquela que anda consorte
Aquela que o desalmar faz leda
Passou-se o crepúsculo
Sobreveio o horário noturno
O lar que outrora era vida
Tornou-se funesto, taciturno...
23 de julho de 2007
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